Eis que estou aqui em frente ao computador e entediada de escrever o TCC resolvi escrever um diário com relatos de todas as corridas que já participei como Staff. Gostaria que fossem corridas que participei correndo porém eu só corro pra avisar alguma coisa na arena da corrida ou pra ver no que posso ser útil. Logo que entrei pro curso de educação física (algo que resolvi fazer com 31 fucking anos de idade, eu já estava cansada de só vagabundar na vida só indo pra boteco e gastando dinheiro que eu não tinha), fiquei sabendo dos tais “staffs de corrida pra ganhar horas complementares” e escutava pelos corredores da UEPG “cara essa corrida vai ganhar lanche e camiseta” uaheuaheuh, cara, vocês não sabem a pira por camiseta que eu tenho.
No caso na época era Abril, ano 2018, apareceu nos murais do bloco “venha ser staff da maior corrida da cidade...mande mensagem para o numero tal” eu caloura otária falei com as colegas do curso “gente vamos!! Ganha 40 horas complementares“ e mandamos nossos nomes pra lá. E lá fui eu, peguei o bonde (eu não dirijo) e fui fazer o tal staff com a galera que se propôs a ir num sábado à tarde lá na arena que ficava no observatório lá no Wagner. Logo que cheguei, procurei alguém com a camiseta escrita “organização”. Falei toda alegrete saltitante (mal sabia eu o que me aguardava) “olá...vim fazer o staff”. Aí a guria lá me mandou pra uma tenda pegar a camiseta, o lanche e aguardar instruções. No caso naquela época eu não sabia o que era estação de hidratação, percurso, frutas, medalhas, lanches e afins. Teve uma reunião na quinta-feira antes do evento pra definir quem pegaria tal função e eu não fui porque choveu pra caramba e eu estava em aula (sdds prof Itamar). Perdi toda a explicação e fui ás cegas fazer o staff. Se eu tivesse ido nessa reunião eu poderia ter pego qualquer função mas como eu não fui eles me colocaram na belíssima função de ficar no tal percurso e eu não sabia que porra era o “percurso” (eu iria saber da pior forma auehauheuh). A largada da corrida seria as 19:30h. Fiquei com meus colegas de curso e uns seres aleatórios da UTFPR (que precisavam de horas complementares) na belíssima (cof cof) rotatória da VCG, lugar muuuito tranquilo, onde 5 ruas se encontravam, principais vias pra oficinas e centro. Deixaram eu, o Gui, a Ju e dois seres da UTFPR e a gente lá conversando “ahh...aqui é de boa” (mal sabíamos...calouros tsc tsc). Ahh esqueci de dizer que nesse dia tinha um culto especial alí da presbiteriana, tinha jogo na arena de vôlei e acreditem...tinha jogão do Operário tudo no mesmo horário agora vocês imagineeeemmm!!! o caos foi declarado. Uns 10 minutos antes da largada chegou um cara e falou pra gente “viu! A polícia militar vai ajudar vocês aqui porque é um ponto complicado!” e nós que estávamos tranquilos de repente começou a dar uma preocupação. Chegou duas motos da PM e a gente ficou mais tranquilo falando que os PM iam cuidar de tudo ahuehauehauehaueh (ai que utopia a minha). Foi dada a largada, o transito lá de cima foi segurado e os 2 mil atletas apareceram, até aí os cops estavam dando conta falando pra gente ficar no nosso cantinho que caso precisassem eles chamavam a gente. Só que manooooo!! Os motora já estavam muito pistola aguardando os 2 mil atletas passar e começaram a furar o bloqueio dos staffs lá em cima, porque já fazia não sei quantos mil minutos estavam segurando o transito e o jogo do OFEC ia começar e eles tinham que chegar no jogo neam. Quando eles furaram o bloqueio veio uma renca de carro, os cops FULL PISTOLA com os motorista e falaram pra gente ir segurar os motorista nervoso que já estavam subindo pela calçada pra furar o bloqueio. Só que!! Imaginem cara, a gente, um monte de tongo que nunca tinha feito isso na VIDA!! Fazendo papel de guarda municipal e sei lá o que mais tentando segurar os motora nervoso. Pense se a gente não levou xingo até a nossa próxima terceira geração. É sério! Eu nunca levei tanto xingo assim na minha vidaaa!! Entrava por um ouvido e saia pelo outro eu nem ligava, mas os meus brother lá estavam nervosão, teve motorista que quase atropelou staff, quase saíram na porrada, os policial xingando os motorista, os atleta xingando a gente pela incompetência, atleta correndo entre o engarrafamento de carro, atleta que caiu e se esfolou um monte, motorista xingando policial, e os cones não faziam a sua função. Foi uma merda tãaaoo grande! Aí chegou reforço, mas não adiantava porque tinha um engarrafamento de carros muito grande e não tinha pra onde escoar esse povo. Resumindo os atletas estavam correndo com os motorista e talz, e eu e meus colega muito nervosos e chocados auheuahe. Passando esse momento de extrema tensão que durou uma meia hora, os carros puderam andar e os cops ficaram alí conversando com a gente indignadíssimos com a falta de respeito do ser humano hahaha. Passou uma picape pegar os staffs e eu entrei nessa picape, e passando por frente do germano freddy kruger começou a voar lata de cerveja no carro da corrida, a gente estava na via destinada aos atletas então os torcedores do fantasma deduziram que era o carro de encerramento da corrida e a gente parou com o carro na frente de um ponto especifico do time e pense nos xingamentos, quase fomos linchados (parecia o dia que fui ver atlético e ofec em Curitiba e saímos de lá correndo da torcida adversária e das pedras). Chegando na arena depois de muito pânico e momentos de tensão eu fui pedir uma medalha, o qual a mulher NÃO deixou eu pegar, sério tinha umas 1000 medalhas sobrando e ela não deixou eu pegar, porém elas deu as costas e eu peguei assim mesmo porque eu não sou obrigada a nada. Não ia me ferrar um monte pra não levar nada de lembrança. Saí de lá com uma puta dor de cabeça monstro e dor no corpo todo por conta do estresse (sim. Estresse. Porque por mais que eu não esteja recebendo pagamento se eu me proponho a fazer algo eu vou pra fazer bem feito, e quando não sai bem feito eu me estresso e sofro com isso). Na segunda-feira fui falar com meus colegas o qual todo mundo foi unanime em uma coisa “nunca mais faremos staffs na nossa vida”. Só que tem uma coisa que eu não falo mais há alguns anos que é “eu nunca digo nunca”. Se eu soubesse que esse seria o início de uma coisa tão maravilhosa e que faço com tanto gosto hoje eu nunca teria imaginado. Eu não participei, assim, de milhões de corridas mas já da pra fazer uns depoimentos dessas que participei. O próximo relato vai ser de uma corrida que restaurou a fé e esperança do ser “staff” em mim auheuhauehauh. Com essa questão do corona vírus muitas corridas foram canceladas e remarcadas. Isso é triste amigos. Por isso estou escrevendo pra relembrar esses momentos que apesar de serem tensos são lembranças do qual eu tiro algumas lições.

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